Vale do Silício tupiniquim: especialistas, qualidade de vida e pensar global

A série Vale do Silício tupiniquim caminha para o fim. Este é o penúltimo post que destaca como Florianópolis está posicionada em 14 aspectos apontados pelo ex-reitor da Stanford University como vitais para a criação de um ambiente único de inovação e empreendedorismo, na área de tecnologia.

Nos pontos 10, 11 e 12, William F. Miller defende três aspectos fundamentais para que a capital catarinense torne-se cada vez mais referência como polo tecnológico. Especialistas de negócios em diversas áreas, a existência de um ambiente com qualidade de vida e o pensamento global das empresas são os três aspectos lembrados por Miller ao lembrar o Vale do Silício.

10) Especialistas de negócios

O grande sucesso de um polo tecnológico não se faz só pela competência dos profissionais especializados em áreas como engenharia e computação. Para fomentar negócios, é preciso também especialistas em áreas como jurídica, contábil, tributária, marketing e comunicação. O Vale do Silício se apoiou nestas competências para desenvolver um ambiente único.

Florianópolis começa a dispor de uma rede de profissionais que atuam no apoio direto às empresas, especializando-se nas necessidades específicas e própria do setor tecnológico. Já há profissionais de contabilidade e advocacia, agências e assessorias em comunicação e marketing, dentre outros serviços especializados. Segundo a FINEP, no setor de tecnologia, para cada emprego direto gerado, outros 15 indiretos são criados – contribuindo diretamente na importância do setor como economia organizada.

11) Alta qualidade de vida

Não só de tecnologia vive a região do Vale do Silício. Destaca-se lá a alta qualidade de vida da população que vive em torno da rica região. Moradias adequadas e sustentáveis, com alto padrão imobiliário, é um dos destaques. Além disso, o transporte é eficiente e privilegia meios alternativos.

Florianópolis é reconhecida internacionalmente pelas suas belas praias e por possuir um dos melhores índices de desenvolvimento humano entre as capitais brasileiras. A cidade desfruta ainda de ares provincianos, se comparado com outros grandes centros brasileiros. Isso a torna um grande polo de atração de pessoas em busca desta qualidade de vida aqui ainda encontrada.

Porém problemas como o da mobilidade urbana – Florianópolis foi considerada recentemente como a segunda pior no país neste quesito – e o aumento da violência urbana tem prejudicado o desempenho da capital dos catarinenses neste quesito. O grande desenvolvimento imobiliário nos últimos anos também preocupa se na vir acompanhado de infraestrutura de esgoto, água e energia.

12) Conexões globais

O Vale do Silício é uma iniciativa americana, mas que conta com mentes brilhantes de todas as partes do mundo. As principais inovações geradas no Vale ocorreram por conta das redes mundiais constituídas. A inovação não ocorre em um único lugar geográfico, defende Miller. Japoneses, chineses, indianos e europeus se juntaram aos americanos para construir na Califórnia um dos principais centros econômicos do mundo. O Estado que abriga o Vale do Silício, se fosse considerado um país, seria a sétima economia do mundo.

Florianópolis precisa ser um polo de atração de pesquisadores e empreendedores de todo o Brasil e de até outros países para ampliar e estabelecer relacionamento direto com o resto do mundo. Empresas catarinenses precisam começar a pensar global, desde a concepção do seu negócio, não se preocupando só com o grande mercado interno existente no país.

Autor: Rodrigo Lóssio

Jornalista formado pela UFSC, especialista em Propaganda e Marketing pela UNIVALI, com MBA em Gestão de Negócios, Mercados e Projetos Interativos pelo I-Group. É sócio-diretor da Dialetto e editor executivo do blog TI Santa Catarina.

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