Cartórios compram 60% de catarinense

Bry Certificação DigitalQuais são as primeiras três palavras que lhe vem a cabeça quando precisa procurar um cartório? Para mim: papel, burocracia e fila. Com todo o avanço tecnológico encontrado em diversos segmentos, inclusive governos, instituições do Judiciário, dentre outras, os cartórios pareciam ainda não terem adentrado nesta nova era.

Pois agora três instituições que atuam no sistema cartorário brasileiro nos dão uma resposta, dentro de uma estratégia de consolidar sua atuação na nova economia digital. E esta iniciativa passa por um projeto e uma empresa de tecnologia catarinense. 60% do capital acionário da Bry Certificação Digital, empresa desenvolvedora de soluções para segurança da informação, foi adquirido pelo Instituto de Registro Imobiliário do Brasil (IRIB), Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado de São Paulo (ARPEN-SP) e Centro de Estudos e Distribuição de Títulos e Documentos (CDT).

Cada instituição detém atualmente 20% da empresa. A presidência do Conselho está a cargo de Helvécio Castello, presidente do IRIB. Marcelo Brocardo, antes diretor técnico e diretor superintendente, passou a responder pela presidência da empresa, cargo que ocupa desde o início do ano.

A transação, consolidada durante o ano de 2008, é reflexo da modernização do sistema nacional cartorário e pelo período de transição que os documentos legais vêm passando. Há uma quebra de paradigma em curso em que os cartórios estão passando do papel para o digital – o que se configura num caminho sem volta.

Marcelo Luiz Brocardo, presidente da Bry Certificação Digital

O processo de aquisição da empresa iniciou-se em abril de 2008 com a venda de 38% do capital acionário para o IRIB. Este percentual pertencia ao Fundo REIF – Returning Entrepreneur Investment Fund -, administrado pela DGF Investimentos e que tem como cotistas o Banco Inter-Americano de Desenvolvimento (BID), Banco Sudameris, Sebrae Nacional e o Sebrae-SP. Em setembro, a operação foi completada com a aquisição de mais 22% da empresa, tendo como novos sócios a ARPEN-SP e o CDT. O valor total da transação, com 60% da empresa sendo vendido, não foi revelado.

Marcelo Brocardo

Marcelo Brocardo

Antes mesmo da operação, a Bry já tinha sido responsável por importantes projetos que os cartórios estão lançando para o mercado. A empresa desenvolveu centrais de serviços eletrônicos compartilhados para os registradores e notários. São a Central Registral de Serviços Eletrônicos Compartilhados (CRSEC), a Autoridade de Carimbo do Tempo Brasileira de Registro (ACT-BR) e a Autoridade de Carimbo do Tempo Notarial (ACT-Notarial).

Os serviços oferecidos por meio destes portais possibilita que os cartórios entrem, definitivamente, na era digital, no uso de documentos eletrônicos com validade jurídica. A adoção destas tecnologias foi motivada também pela lei 11.419 de autoria do Governo Federal, que recomenda aos órgãos da Justiça e serventias extra-judiciais, como os cartórios, a regulamentarem e efetivarem o uso de formas eletrônicas de assinaturas.

A rede de relacionamento e cooperação que a BRy Tecnologia integra no Polo Tecnológico de Florianópolis foi outro aspecto que despertou o interesse do grupo de entidades ligadas aos cartórios. A empresa mantém convênios de cooperação tecnológica com o Laboratório de Segurança em Computação (LabSEC), da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e com o Laboratório de Tecnologias de Gestão (LabGes), da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Além disso, desenvolve parcerias com organismos públicos e diversas empresas locais, como a Softplan/Poligraph.

Histórico da BRy
Fundada em 2001 e sediada em Florianópolis, a BRy Tecnologia é uma empresa de base tecnológica especializada no desenvolvimento de soluções que visam garantir a segurança e promover a confiança no uso do documento eletrônico. Iniciou sua atuação ao desenvolver de forma inédita e exclusiva no Brasil uma protocoladora digital de documentos eletrônicos – a BRy PDDE. O equipamento, configurado na forma de servidor, é ainda um dos principais produtos da empresa, que investiu ainda no desenvolvimento de sistemas de assinatura digital, autoridades certificadoras, registradoras e de carimbo do tempo.

Autor: Rodrigo Lóssio

Jornalista formado pela UFSC, especialista em Propaganda e Marketing pela UNIVALI, com MBA em Gestão de Negócios, Mercados e Projetos Interativos pelo I-Group. É sócio-diretor da Dialetto e editor executivo do blog TI Santa Catarina.

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  • AGILDO NOGUEIRA

    ISSO TUDO É MUITO BOM!

    A QUESTÃO, É COMO NÓS PEQUENOS FICAMOS SE NÃO TEMOS ACESSO A TAIS TECNOLOGIAS. FICO PROCURANDO OS PREÇOS DE TECNOLOGIAS AVANÇADAS PARA IMPLANTAR AQUI, MAS QUANDO VEJO OS PREÇOS…SINTO QUE CUSTARA MUITO TEMPO PARA PODERMOS TRABALHAR COM TAIS FERRAMENTAS…

    AGILDO