TEDxFloripa projeta uma sociedade com mais cidadania, liberdade e cultura

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Por Camila Rodrigues da Silva

 

TEDx Floripa

Com o tema “Ressonantes”, evento debateu soluções, histórias e música para os mais de 350 participantes que compareceram ao Centro de Inovação ACATE Primavera. / Foto: João Neto/ Divulgação TEDx

Se o futuro depender de quem esteve na 3º edição do TEDxFloripa neste sábado (27), o mundo será de cidadãos mais politizados, livres e com maior acesso à cultura. Em apresentações objetivas e inspiradoras, os quinze palestrantes da edição deste ano, que teve como tema “Ressonantes”, trouxeram soluções, histórias e música para os mais de 350 participantes que compareceram ao Centro de Inovação ACATE Primavera.

 

Segundo Bruno Cheuiche, foram mais de mil inscrições para o evento, construído por voluntários e com o apoio de empresas e entidades da sociedade civil. Sobre o processo de seleção dos palestrantes, o critério de escolha foi semelhante ao das edições anteriores: artistas, ativistas, empreendedores, cientistas e pessoas com experiências de vida inspiradoras foram sugeridos por participantes e pela própria equipe de produção, composta somente por voluntários. “O esforço é fazer um balanço entre ideias locais e ideias externas que possam ter impacto positivo no cenário local”, explicou Chuiche.

 

Liberdade e cidadania

Um mundo com menos violência de gênero pode se inspirar em uma das palestras mais aplaudidas da tarde, a jornalista Juliana Faria expôs a trajetória do portal Think Olga, onde ela pode desenvolver um jornalismo que discutisse pautas sobre feminilidade fora do padrão da maioria das revistas femininas. O portal é uma plataforma para um caderno de fontes mulheres para jornalistas (já que apenas 25% das fontes do jornalismo brasileiro são mulheres) e para a campanha Chega de Fiu Fiu, que levanta e organiza dados sobre o assédio que sofre nas ruas e cuja página de Facebook já tem mil de 15 mil curtidas. A grande repercussão permitiu que Juliana começasse a produzir um documentário sobre o tema, que está sendo financiado com uma bem-sucedida campanha em crowdfunding.

 

Diego Calegari, idealizador do Politize!, apresentou o portal que educa sobre política e uso de  instrumentos públicos pelos cidadãos / Foto: João Neto

Diego Calegari, idealizador do Politize!, apresentou o portal que educa sobre política e uso de instrumentos públicos pelos cidadãos / Foto: João Neto/Divulgação TEDx

Aliás, muitas soluções apresentadas no TEDxFloripa têm usado plataformas web como suporte. O Politize!, idealizado por Diego Calegari, tem como objetivo facilitar que crianças e adultos aprendam sobre política e os instrumentos públicos que estão à disposição de todos os cidadãos —mas que são dominados por poucos. “Usando gamificação, estamos desenvolvendo um MVP [produto mínimo viável]  para ajudar estudantes a identificarem problemas em sua comunidade e depois desenvolverem estratégias para solucioná-los. A ideia é que eles aprendam articular recursos públicos e privados para colocar essas estratégias em prática”, explicou o mestre em administração pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Segundo Diego, o projeto ainda está em fase de desenvolvimento e está sendo financiado por uma campanha de crowdfunding realizada em outubro de 2014 e por um prêmio do Fórum Econômico Mundial recebido em dezembro do ano passado.

 

Cultura

Além das apresentações do músico paulista François Muleka e da banda florianopolitana Felixfônica, essa edição do TEDxFloripa contou com o grafiteiro Rodrigo Rizzo, cuja marca registrada são os camaleão, e com duas empreendedoras e articuladoras do setor de cultura:

Paula Borges, organizadora da Maratona Cultural, contou como o diagnóstico de lúpus influenciou sua veia empreendedora

Paula Borges, organizadora da Maratona Cultural, contou como o diagnóstico de lúpus influenciou sua veia empreendedora / Foto: João Neto/Divulgação TEDx

Paula Borges, idealizadora da Maratona Cultural de Florianópolis, e Lidiane Lemes, que criou a plataforma de financiamento coletivo Imposto Vira Cultura. Com experiência de 15 anos na produção de cultura, Paula contou como o diagnóstico de lúpus influenciou os seus projetos e seu método de torná-los realidade. “Eu sonho, planejo, escrevo e depois eu vou lá e executo”. Ela já organizou quatro edições da Maratona Cultural e disse que poucos artistas se repetem porque há muitos bons artistas no Estado. “Na última edição, por exemplo, se inscreveram 700 músicos, mas só tínhamos como divulgar 60 deles. Então mais e 90% ficaram de fora”.

Já a ideia de Lidiane Lemes, que já está sendo concretizada, é facilitar que os impostos usados nas Leis de Incentivo à cultura cheguem aos projetos de teatro, música, dança, literatura e todas as outras formas de arte. Para isso, a plataforma Imposto Vira Cultura permite que cada pessoa física direcione 6% de seu imposto de renda para um projeto cultural de sua preferência, com base em uma lei de incentivo fiscal aprovada em 1992. “O portal faz uma curadoria de todos os projetos aprovados na lei Rouanet e em processo de captação”, explica Lidiane. Para ela, “é uma questão de autonomia e de cidade destinar seu próprio imposto para iniciativas culturais de forma consciente, estimulando a arte na sua cidade”.

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