por Eric Santos

Apesar das diversas histórias que escutamos sobre empresas como Google, Youtube, Facebook, Twitter, ou mesmo alguns casos brasileiros mais conhecidos tais como Buscapé e Mercado Livre, a realidade é que a maioria das Startups fracassa. Para cada um desses casos de sucesso que ouvimos falar repetidamente, dezenas de empreendedores tentam reproduzir o mesmo sonho e acabam ficando muito aquém da sua expectativa e potencial.

A razão desse fracasso pouco tem a ver com a questão tecnológica ou com a incapacidade dos fundadores de criar a equipe e o produto. A principal causa de morte das Startups é dada ao fato delas não conseguirem encontrar mercado o seu produto revolucionário. Ou nas palavras de Marc Andreessen, as Startups fracassam por (e somente por) não encontrarem o Product/Market Fit.

Nos EUA, mesmo com a abundância de Capital de Risco, nos últimos anos tem crescido um movimento – puxado tanto por empreendedores quanto por investidores – que reconhece esse problema e propõe alternativas para aumentar significativamente a taxa de sucesso das novas empresas de base tecnológica. Esse movimento foi batizado de Lean Startup.

O conceito fundamental da Lean Startup parte do princípio de que grande parte da sua visão inicial do empreendedor sobre o negócio (produto, clientes, marketing, canais, etc.) são apenas hipóteses que devem ser provadas o quanto antes no mercado, e que esses componentes do negócio devem ser adaptados na medida em que novos fatos vão surgindo neste processo de validação da ideia no mercado.

Em uma Lean Startup, o empreendedor e o investidor entendem que há duas fases muito distintas da empresa: a fase da Procura pelo Negócio – com foco em experimentação e aprendizado – e a fase do Crescimento, com foco na execução de um modelo escalável que foi descoberto. Para garantir a passagem de uma fase à outra, a Lean Startup lança mão um processo proativo de investigação e desenvolvimento de clientes (Customer Development) combinado com técnicas de desenvolvimento ágil de produtos e rigor em métricas para aprendizado.

Promovermos e alinharmos esse movimento no Brasil e especialmente em Santa Catarina se faz ainda mais necessário do que nos EUA, já que o Capital de Risco por aqui é um recurso escasso e a maioria dos empreendedores não pode “se dar ao luxo” de errar. Tenho procurado ajudar a difundir alguns destes conceitos através do blog Manual da Startup e de algumas palestras e encontros, contado sempre com o apoio de diversas outras iniciativas, tais como o próprio TISC.

Para ajudar nessa tarefa, no dia 23/04 faremos em Florianópolis a exibição simultânea da Startup Lessons Learned Conference, evento que acontece em San Francisco-EUA com a participação dos principais pensadores e praticantes do movimento, que apresentarão e discutirão conceitos, técnicas e estudos de casos de sucesso. Além do Simulcast, durante a manhã teremos a formalização do grupo Floripa-Startups, uma apresentação conceitual sobre o tema Lean Startup, e espaço para networking entre os participantes. Esse evento pretende ser um pontapé inicial para novos eventos e encontros relacionados ao tema de empreendedorismo tecnológico em Santa Catarina.

Para conferir a agenda e se inscrever para participar do evento, basta acessar o site do evento.

Eric Santos (@ericnsantos) é empreendedor, entusiasta de lean startup e diretor executivo da Praesto Convergence, de Florianópolis.