Computação em nuvem e a indústria da construção civil

por Fabiano Closs

Na década de 80, a tecnologia da informação era algo muito limitado e adquirir e manter um ambiente computacional era algo proibitivo, pelo menos para a grande maioria das empresas da indústria da construção.

Na década de 90, o computador pessoal (PC) toma conta de lares e escritórios, e o ambiente cliente/servidor com sistemas gráficos viabilizados pela interface Windows aproximou ainda mais a informática das pessoas, gerando uma utilização de grande escala.

Nasce ali os sistemas de gestão integrados e o usuário começa a ganhar o poder da informação. Hoje, às portas de 2010, os softwares são todos desenvolvidos para a internet, ponto de encontro de tudo e de todos, e assim estão sempre disponíveis em qualquer lugar, onde e quando o usuário precisa, sem necessidade de instalações aqui e lá, tendo como requisito único um navegador internet.

A grande disseminação do acesso de banda larga e o crescente uso demandaram a criação de grandes centrais de processamento de dados – os data centers. Se você faz uma pesquisa, acessa seu e-mail, constrói um texto ou planilha diretamente no Google, com certeza estará usando o processamento dos milhares de servidores da empresa espalhados no mundo.

Hoje há milhares destes data centers e é nestes locais que estão seus arquivos de e-mail, sua compra de passagens aéreas, sua reserva de hotel, sua conta bancária, a central que comanda seu telefone celular, e às vezes o sistema de gestão que a sua empresa utiliza. As informações estão em servidores espalhados pelo mundo, ou como se diz hoje na área de tecnologia da informação – estão na nuvem.

Em função do uso em larga escala, é barato oferecer este serviço para as empresas. Assim, o ambiente de computação, servidores, manutenções, atualizações, entre outras questões que eram tratadas isoladamente por cada empresa estão se tornando um serviço contratado, isso mesmo, como água e luz que você não produz, apenas paga pelo uso a os grandes provedores destes serviços.

A indústria da construção é um dos segmentos que mais se beneficia desta tecnologia, pois a operação das empresas deste segmento ocorre normalmente física e temporariamente em lugares distintos. Vamos ao exemplo de uma construtora. Sua produção são as obras geograficamente dispersas, e locadas durante a execução das mesmas. A sua área de suprimentos parte está na obra que requisita materiais, movimenta estoque e parte está na administração central, que faz as cotações, negociações e outras atividades. A área comercial é ainda mais dinâmica, tendo que estar em lugares diferentes a todo o momento, com extrema necessidade de disponibilidade e mobilidade, sem precisar depender de instalações, configurações de software, isto ou aquilo.

Funcionamento da computação na nuvem. Crédito: Divulgação/SIENGE

Este é o motivo do crescente uso de softwares 100% web neste segmento. Pois as empresas não precisam ter que instalar, configurar, manter e atualizar máquinas de acesso. Todos tem acesso ao mesmo sistema e a mesma informação em tempo real, compartilhando informações rapidamente e dando o ritmo que faz a diferença nos negócios de hoje. Atividades que resultam em melhoria na comunicação, visibilidade e melhoria na gestão como um todo.

A um passo a frente estão as empresas optam por não ter um área de informática com uma estruturas de pessoas, hardware e software para manter. Focam em sua atividade fim, contratando o software, hardware e todos os serviços agregados de um fornecedor que ofereça tudo em uma assinatura mensal. Este é o chamado software como serviço, ou o SaaS da sigla em inglês. Esta já é a realidade de centenas de construtoras no Brasil, mesmo as de pequeno e médio porte.

É sensível a adoção das empresas por este modelo. As nuvens estão formadas e mostram tempo bom para a indústria da construção.

Fabiano Closs é consultor em Software e Gerente Comercial da Softplan/Poligraph de Florianópolis/SC, que desenvolve a solução SIENGE.